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Domingo...

Sigo o som das ondas do mar,
caminho deambulando até à praia;
descalço-me e pouso os pés na areia molhada.
Aproximo-me da água
 e sinto a espuma bater nos meus tornozelos
submersos em ansiedade.
Sei que as lágrimas que choro
são cruéis como o vazio do horizonte
que se despenha nos gélidos abismos
à deriva como barco sem rumo.
As espumas da incerteza começam aqui.
Onde o mar me prende, fico.
Onde o mar me atormenta, parto
e viajo nas lembranças e recordações de ti.
Porém, tento desligar
o interruptor da tua presença
e tento abstrair-me da solidão
em que me encontro.
Coloco as mãos em concha, apanho a espuma,
respiro a maresia e toco com os lábios.
Tão certo como previsível,
ela faz-me suspirar de saudade!
Talvez…
talvez a espuma apague este sentimento
que teima em ficar entranhado em mim…
Fico horas a contemplar o bater do mar
nas rochas que me fazem lembrar o teu rosto.
Cai a noite para ambos
e eu fico na sombra
onde não chegam as estrelas.
No mundo das tuas recordações
feito de segundos,
passo horas a escrever-te
coisas que não consegues decifrar.
Assim, mesmo nós viajando por caminhos diferentes,
a alma será a mesma,
a estrada que vai do fim da terra ao princípio do mar
terá o mesmo elo de ligação
e o sentimento que existiu,
esse que agora tem o nome de saudade.